
Em Romanos 6.3 e ss., Paulo fala da nossa identificação com Cristo na sua
morte, sepultamento e ressurreição, efetuado pelo batismo em Cristo.
Porém, o batismo aqui referido, não é essencialmente o batismo em água, como
alguns entendem, embora isso também seja realidade, antes está em foco o
«batismo espiritual». O batismo em água, também está aqui representado, como
símbolo do batismo espiritual. O Batismo espiritual é a realidade, e o
batismo em água é o símbolo dessa realidade. Mas, não é por isso que vamos
desprezar o batismo em água. Pois ele tem valor e propósito nessa realidade,
no que tange ao "Batismo espiritual". Temos que respeitar o valor e a
posição em que ocupa o batismo em água no evangelho. Não podemos dar a ele
um valor excessivo, para não sufocarmos a realidade do qual é símbolo, isto
é, que por traz do batismo simbólico existe o batismo espiritual, sendo
este a essência da nossa identificação com Cristo na Sua morte, sepultamento
e ressurreição. Por outro lado, não podemos desprezá-lo, para que não
venhamos a estar desobedecendo à ordem de Cristo (Mat 28. 19). Furtar
do batismo em água a sua posição, no plano redentivo, é pregar e viver outro
evangelho. Pois o batismo em água e a Ceia do Senhor Jesus, ainda que sejam
símbolos, no entanto, não são símbolos vazios, por traz de tudo isso existe
algo espiritual e místico e, por isso devem ser levados a sério.
Voltando ao Batismo Espiritual, o qual o batismo em água é símbolo, é
necessário sabermos em que consiste este batismo. Acerca disso o Dr R.N.Champlin
em seu NTI (Vol 3, pág 665-667) sabiamente mostra-nos, em uma explicação bem
detalhada a respeito do batismo espiritual. Vamos transcrever algumas
notas sobre este significado, quanto a mais detalhes, o leitor dever consultar a
referida Obra .
«1. Sua definição básica. O Batismo espiritual é a «coisa simbolizada»
pelo «sinal» do Batismo em água. É a participação mística de tudo quanto está
envolvido na morte e ressurreição de Cristo. Envolve o processo de
«espiritualização» do Espírito Santo, dentro do que, antes de tudo, ele
transforma as nossas naturezas morais, para que venhamos a participar da vitória
de Cristo sobre o pecado; e, em segundo lugar, é aquela transformação básica que
nos leva a participar, de maneira bem literal, na própria de vida e natureza de
Cristo. De modo, tudo quanto a ressurreição e a glorificação de Cristo indicam e
podem efetuar potencialmente, é conferido aos remidos.
2. A fim de sermos ajudados em nossa compreensão sobre o «Batismo
espiritual», notemos os «níveis de conceito do batismo»:
a. O batismo real, tal como a circuncisão verdadeira, é a operação feita
sobre a alma, nada tendo a ver com o corpo. É aquilo que o Espírito Santo faz à
alma e em benefício dela – identificando-a com Cristo, em sua morte e
ressurreição. Já que o batismo místico começa na fé e na conversão, as operações
antecedem o sinal simbólico, e existem separadamente do mesmo. O «sinal»
se cumpre no batismo em água, não a fim de pôr em processo o movimento do
batismo espiritual, mas a fim de declarar pública e particularmente, que Cristo
é agora o Senhor da vida daquela pessoa, e que o batismo espiritual haverá de
prosseguir sem quaisquer obstáculos. Esse conceito geral do batismo concede-nos
a «mentalidade necessária» para aprendermos o sentido do «batismo espiritual».
3. Prosseguindo agora, armados de uma descrição específica do que está
envolvido no «batismo espiritual», salientamos que, antes de tudo, isso envolve
a participação em tudo quanto é salientado na morte de Cristo, porquanto «fomos
sepultados com ele»
a. Tudo quanto está envolvido na expiação no sangue de Cristo, entra aqui em
foco. Trata-se da correta posição «forense» em Cristo, mediante um decreto
divino; mas também é a operação da santidade em nós, de tal maneira que a
«correta posição» se torna real na experiência do crente. Portanto, envolve a
«justificação» (Rom 3.24,28) e a «santificação» (1 Tess 4.3). Por meio da morte
de Cristo vêm os meios de santificação (1 João 1.9).
b. A morte de Cristo destruiu parcialmente, como um fato real e presente,
embora tenha destruído completamente, em sentido potencial, os poderes do reino
de Satanás, que são os poderes da maldade (Col 3.15). Portanto, participamos
dessa bênção.
c. A morte de Cristo destruiu o poder da lei sobre nós, como uma autoridade
condensadora (Rom 8.2; Col 2.14).
d. A morte de Cristo proporciona-nos os meios da comunhão positiva com
o Senhor Deus [Yahweh], o que conduz à santidade e à correta posição diante
dele, por causa daquilo que somos, e não meramente por causa daquilo que Deus
declara forensicamente em nosso favor (Col 1.20-22).
e. Os «meios» ou o «modus operandi», que torna real para nós, tudo
quanto está envolvido na morte de Cristo, são a presença habitadora e o poder
transformador do Espírito Santo. Isto significa que aquilo que é dito aqui foi
exposto para mostrar que a morte de Cristo é muito mais que um mero «motivo»
para vivermos em santidade. Certamente, com base na gratidão pelo amor de Deus,
haveremos de «esforçar-nos na direção da santidade». Antes, o Espírito Santo,
que em nós vem habitar, transforma a nossa natureza moral, levando-nos a ser
santos, a vivermos vitoriosamente sobre o pecado. Ele é a tábua da lei, escrita
sobre o coração (2Cor 3.3). Ele é o meio espiritual da santificação (2Tes 2.13).
Ele é a força que nos propicia a própria natureza de Cristo, e, portanto, todas
as sua vitórias e a sua própria glória (2Cor 3.18). Dizemos a mesma coisa, de
maneira bem simples, podemos afirmar que ele faz com que deixamos de ser o que
somos, e começa a tornar-nos semelhantes a Cristo. Finalmente, ele duplica em
nós a própria natureza de Cristo, moral e metafisicamente. A morte separa a
nossa relação com o mundo; e assim também, a morte «com Cristo» põe fim a nossa
lealdade ao sistema deste mundo, porquanto ficamos mortos para o mesmo.
4. Mas o batismo espiritual também tem aspectos positivos – é a
participação na vida ressurrecta de Cristo. Somos soerguidos a uma vida nova, e
nossa lealdade se centraliza, então, nos lugares celestiais.
a. Trata-se de algo de moral. (Ver Colossenses 3.1 e ss.). Moralmente
chegamos a participar dos próprios atributos e das perfeições de Deus (Mat 5.48
e Heb 12.14), conforme estão investidos em Cristo (ver Gálatas 5.22,23). O
Espírito Santo também é o agente desse processo (2Cor 3.18). Se participarmos
dos atributos morais de Cristo, só poderemos fazê-lo participando da natureza
moral de Jesus Cristo. O Espírito está duplicando Cristo em nós, pois somos
filhos de Deus que estão sendo conduzidos à glória (Hb 2.10). Essa duplicação
deve ser de natureza moral, pois somente a própria retidão divina, compartilhada
pelos remidos, poderá habitar nos céus (Rom 3.25).
b. Mas é algo mais que moral; é algo metafísico. Chegamos a participar
da própria natureza metafísica de Cristo (Rm 8.29). A potencialidade dessa
participação é infinita, pelo que o processo será contínuo e eterno. Seremos
cheios «de toda plenitude de Deus» (ver Efésios 3.19 e Col 2.10), tal como o
próprio Cristo. Isso indica a participação na «natureza divina», de maneira
perfeitamente real, e não apenas figurada (2 Pedro 1.4).
c. O «batismo espiritual», pois, ensina-nos que devemos participar da vida de
Cristo.
d. A vida ressurrecta, por conseguinte, envolve a transformação moral,
um viver segundo os «valores celestes», um viver conforme a inspiração celeste,
já que a vida ressurrecta é a modalidade de vida que existe nas esferas
celestiais. Todavia, a vida ressurrecta é, igualmente, a atual espiritualização
da alma humana, e não apenas aquela imensa glorificação que ocorrerá nos mundos
eternos. E tudo isso é operação do Espírito Santo, mediante seu contacto direto
com a alma remida, ou seja, trata-se de um processo místico.»
Quando alguém realmente se converte a Cristo, ocorre o batismo espiritual, o
qual o convertido se identifica com Cristo, na morte, sepultamento e
ressurreição. E nisso se tem o processo da espiritualização da alma do
remido, conforme visto acima. Paulo disse: «Se alguém está em Cristo, é nova
criatura: as cousas antigas já se passaram; eis que se fizeram novas» (2Cor
5.17). A questão agora é uma nova vida no Espírito. No ponto de vista de Paulo,
retratado em Romanos 6.3, agora emerge claramente, que o crente em Cristo não
pode ter negócios com o pecado, porque na ordem da vida à qual ele agora
pertence, o pecado não existe; ele morreu para o pecado e o pecado foi
crucificado para ele: «E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as
suas paixões e concupiscências» (Gálatas 5.25). As coisas antigas que já se
passaram, foram estas mencionadas na passagem que acabamos de citar, que
resumidamente é o pecado.
É totalmente impossível que uma determinada pessoa que diz estar em Cristo,
mas continua vivendo aquela velha vida de pecado, pois se alguém está em
Cristo nova criatura é. Veja em Romanos 6.1-14. Ao ler atentamente estas
passagens, o leitor irmão, encontrará muitas e muitas verdades espirituais para
a sua vida. Lembrando que demos apenas um resumo acerca do batismo espiritual.
Portanto, o «batismo espiritual» consiste na nossa imersão mística na
natureza de Cristo, de modo que estamos sendo espiritualizado, estamos nos
tornando uma nova criatura (processo contínuo), «...somos transformados de
glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito» (2Cor
3.18). É justamente através do batismo espiritual que temos uma união genuína e
real com Cristo, não uma união simbólica ou física, mas espiritual e mística
(real). Aí é que entra o batismo em água, o qual simboliza essa nossa
identificação com Cristo, isto é, o batismo espiritual é a realidade da
nossa união com Cristo na sua morte, sepultamento e ressurreição, e o batismo
em água é o símbolo dessa realidade. No batismo em água, o remido testifica
publicamente, o seu rompimento com a velha vida, com a vida do mundo presente, a
terrena, e que agora assumiu uma nova vida, uma vida em Cristo Jesus.
Verifica-se em nossos dias que alguns dão um valor excessivo e, outros quase que
totalmente desprezam o batismo em água. Mas de tudo isso o que realmente se vê é
que ninguém diz absolutamente nada sobre o "batismo espiritual".
Verdadeiramente, nunca se quer ouvi uma única alusão sobre o batismo
espiritual. Somente aprendi acerca deste batismo quando o Espírito Santo
começou a me mostrar as realidades espirituais, o que realmente ver a ser a
nossa união com Cristo, isto é, o que significa a expressão "está em Cristo" tão
amplamente usada pelo apóstolo Paulo (ver II Cor 5.17).
Quando comecei a falar pela primeira vez acerca do batismo espiritual,
segundo a sabedoria celestial, muitos crentes com algumas décadas de fé, ficaram
perplexos diante de tal realidade, pois em toda a sua vida nunca tinham se quer
ouvido falar sobre esse glorioso ensino, nem sabiam que tal realidade existia.
Continuamente ouvimos alguém confessar a sua ignorância passada acerca do
batismo espiritual. E nós ainda ficamos cada mais perplexos e animados diante
daquilo que o Espírito Santo desvenda aos poucos. Através do pouco que
graciosamente temos recebido do Espírito Santo e transmitido as pessoas, notamos
que a igreja não tem recebido o ensino verdadeiramente espiritual, o ensino mais
espiritual que se prega, não passa apenas de superficialidade. Temos
ouvido muitos a dizer-nos: "por que é que eles (os líderes, pastores ...) não
ensinam acerca daquilo que vocês estão nos ensinando?" A resposta é simples: Não
é ensinado porque a liderança não está realmente preocupada com o que é do
Espírito Santo, a Bíblia não é honestamente ensinada, dá-se mais atenção aos
dízimos e ofertas. Para muitos, a verdadeira espiritualidade é demonstrada
através do fato de ser dizimista, ainda que os seus pensamentos e ações sejam
imorais e desprovidos de qualquer senso de espiritualidade. A verdadeira
espiritualidade não pode de modo ser evidenciada e comprovada só porque alguém é
legalista. Em breve estaremos abordando o ensino sobre o "dizimo" e daí
trataremos sobre os assuntos que envolvem tal doutrina. Isso faremos de acordo
com a vontade do Espírito Santo, pois esta obra provém dEle é dEle!