

As pessoas ficam chocadas ao verem que Jesus não sabia tudo. Neste artigo,
vamos ver duas passagens conhecidas que mostram as limitações que Jesus
tinha e que Ele era menor que o Pai, a saber:
«Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o
Filho, senão só o Pai» (Mat 24.36). Para muitos, essas são algumas das
palavras mais difíceis de entender que Cristo proferiu. A dificuldade não está
em sua interpretação, pois o sentido é perfeitamente claro; o problema está em
sua aceitação. Alguns comentaristas não podem concluir à limitação dos
conhecimentos de Jesus Cristo. A aceitação dessas palavras se torna difícil
porque não entendem o verdadeiro sentido da encarnação e, suas limitações.
Outrossim, o pior ainda, é porque acham que Jesus é a segunda pessoa da
Trindade, como o Filho eterno de Deus e que as suas limitações o colocam com um
Deus menor que o Pai.
Na sua encarnação, o Deus Altíssimo se esvaziou de todos os seus atributos e
prerrogativas divinas, de sua natureza, tornando-se um autêntico homem,
assumindo a forma de servo (Filip 2.6.7). Por conseguinte, quem se encarnou foi
o próprio Deus Altíssimo, e não um Filho eterno. Ele na verdade, na sua
encarnação assumiu a posição de Filho de Deus. Como homem,
fazia-se que os seus conhecimentos fossem limitados, o que é natural. Quando se
fala de Jesus Cristo e de sua Missão Salvadora a este mundo, se fala de um homem
Especial, poderosamente espiritual, impecável, do Céu, o Messias e não de Deus.
Jesus não possuía duas naturezas, uma divina e uma humana, mas unicamente uma
natureza, a humana e, isto está bem claro em todo o Novo Testamento. Agora,
compreendermos de maneira clara a encarnação do Logos é impossível, enquanto
estivermos neste mundo. É evidente, porém, que o Deus Verdadeiro o qual
servimos, não é de modo algum, uma Trindade. Ele é exclusivamente "UNO".
Se Jesus dissesse que sabia tudo, daí seria razão em não aceitarmos as suas
palavras e negarmos a sua humanidade. Não passaria de um Cristo docético, ou
seja, que não era homem verdadeiro, mas apenas parecia sê-lo, era uma
«aparência» de homem. Infelizmente é esta posição aceita e defendia em
nossos dias. Jesus veio a este mundo como homem, revestido das limitações
humanas, tendo vivido e morrido como homem. A encarnação exigiu que ele se
limitasse em seus poderes, incluindo o atributo do conhecimento; e tudo isso
foram limitações auto-impostas; não obstante, foram limitações perfeitamente
reais, o que mostra que Jesus disse a verdade ao declarar que não sabia o tempo
de sua própria parousia, isto é, de sua segunda vinda. Contudo, se
naquela ocasião Jesus não sabia, evidentemente agora depois de sua ressurreição,
ele o saiba (Mat 28.18). Todas as limitações persistiram até a sua ressurreição,
depois disso, a sua natureza humana (Filho) se uniu a sua natureza divina (Pai),
de modo que agora ele é o Deus-homem, e uma única pessoa.
* «...Nem o Filho...». Devemos aceitar literalmente está declaração de
Jesus, não dependendo de interpretações desonestas, que a suavizam. Ele não
poderia ter sofrido se sua humanidade não fosse igual à nossa. Ele tinha um
conhecimento imperfeito, a fim de que como homem, pudesse depender do Espírito
Santo, assim deixando-nos exemplo:
«...porque o Pai é maior do que eu» (João 14.28). «Palavras de tal
natureza mui naturalmente têm servido de fulcro de grandes controvérsias,
centralizadas em torno da natureza da pessoa de Cristo, e têm participado de
polêmicas históricas, desde os primórdios da igreja cristã neste mundo,
continuando a servir de motivo de debates até os nossos próprios dias» (R.N.Champlin).
Alguns empregam essas palavras, com o pretexto de afirmar que Jesus é menor
de que Deus Altíssimo. De que como Filho de Deus, no seu estado eterno sempre
foi menor que o Pai. Que embora Cristo fosse divino, no entanto, não possuía
aquela modalidade divina que o Pai possuía.
Outros dizem que, a frase compara o ofício e funções, não o mérito e
dignidade, das duas pessoas da Trindade. Que não há aqui nenhuma referência à
criação do Filho com a implicação de sua inferioridade ao Pai.
Frisamos mais uma vez, quem se encarnou não foi um Filho de Deus
pré-existente, uma suposta segunda pessoa da Trindade, pois o conceito de
que existe uma santa Trindade é antibíblico e supérfluo. O Logos que se
encarnou, foi o próprio Deus Altíssimo e não uma pessoa distinta dEle.
O ponto anterior que acabamos de ver, o qual Jesus não sabia o dia de sua
vinda, demonstra à limitação ao conhecimento que Ele tinha (como homem), em seu
Ministério Público. No ponto que agora estamos tratando, Jesus enfatiza a sua
inferioridade diante do Pai; «... Pois o Pai é maior do que eu».
É explicitamente claro, que como homem, enquanto estava aqui na terra, Jesus
era inferior ao Pai. Está inferioridade fala especialmente da sua natureza
humana. Uma vez em que em nada se implica em sua natureza divina, visto que
essa natureza é aquela que ele próprio tinha como Pai. Em sua natureza divina
«era Pai» e em sua natureza humana «era Filho». Mesmo sendo um homem de um
tremendo desenvolvimento espiritual, como foi Cristo, em natureza humana, é o
óbvio que era inferior a do Pai, a divina.
Verdadeiramente, a inferioridade de Jesus Cristo, em sua Missão, é um fato
relevante nas escrituras (Isaias 42.1-9; 53 João 3.16.173; 1cor 3.23,113, etc.).
Essa inferioridade é vista na forma de subordinação. Uma aparente contradição a
isso se vê na expressão «Eu e Pai somos um» (João 10.30). Esta unidade
não é somente uma unidade de propósitos, desígnios, de planos e vontade, mas,
contudo, de «natureza». Essa unidade de natureza, não significa de
maneira alguma em uma distinção de pessoas divinas. A distinção de pessoas
divinas, somente existe na ideologia humana. Dentro da esfera espiritual e
celestial, essa distinção não existe. A Trindade é uma pura ideologia
humana. Essa falsa ideologia é que tem causado a maior catástrofe no credo
de um cristianismo trinitariano, que não é bíblico, mas antibíblico e pagão,
pois o Deus dos verdadeiros cristãos é UNO.
Uma aparente distinção de pessoas se deu entre a natureza humana (Cristo o
Filho) e a natureza divina (Deus o Pai). Esta aparente distinção se limita ao
nosso raciocínio humano, em nosso baixo nível de compreensão espiritual. Aliás,
sabemos pelas palavras do próprio Jesus que «Deus é espírito» (João 4.24); e
quem é que pode definir a composição do espírito, no que consiste o
espírito?
Os estudiosos dizem equivocadamente que Cristo na eternidade futura,
continuará assumindo uma posição de inferioridade, apesar de compartilhar da
mesma natureza com o Pai. Quedamos admirados, diante destas palavras, ao vermos
o grandíssimo estrago que a Doutrina da Trindade tem feito nas mentes dos
homens. Até mesmo os mais brilhantes intérpretes de nossos dias têm infelizmente
caído no calabouço dessa heresia.
A idéia de que continuará assumindo uma posição de inferioridade, na
eternidade futura, corroboram em seriíssimos erros, no que concerne a respeito
da pessoa de Cristo, pois faz com que a sua posição seja ridicularizada, e ao
mesmo tempo contradiz a outra posição, que é o «conhecimento», ou seja, se essa
inferioridade de Cristo ao Pai continuará na eternidade futura, como alguns têm
afirmados, então todos os seus atributos divinos bem como, por exemplo: «o
conhecimento da sua segunda vinda», Ele não tem. Outrossim, Jesus ainda não sabe
o dia da sua segunda vinda.
O que precisamos entender e aprender é que, enquanto exercia a sua Missão
aqui na terra, Cristo, como homem que era, estava limitado (isto já falamos),
não sabia tudo e por isso era inferior ao Pai. Exemplificando, Jesus de Nazaré,
não podia estar em dois lugares ao mesmo tempo, pois era homem e não Deus.
Todavia, esta limitação que tinha aqui na terra, hoje Ele não mais a tem. Após a
sua ressurreição, estas limitações deixaram de existir. (Mat 28.18). Assim como
hoje ele sabe o dia de sua vinda, coisa que realmente não sabia, enquanto estava
neste mundo, o mesmo se sucede com a sua inferioridade em relação ao Pai, isto
é, nada de inferior há em Cristo (em nossos dias), em relação ao Pai, visto que
Ele é o mesmo Pai, e não uma pessoa distinta do mesmo (João 10.30).
Nota. Deixamos bem claro, de tudo que falamos sobre a pessoa de Jesus Cristo
como às suas limitações, e que jamais usou a sua divindade e que ele fez tudo
apenas como homem, ungido com poder e com Espírito Santo, não estamos,
“apequenando” Jesus, de maneira alguma. O que realmente estamos fazendo é
transmitir a verdade como ela é, sendo honestos com a realidade, de que Jesus de
Nazaré foi um autêntico homem, Ele era o Messias prometido, ele não se tornou
Messias com a unção do Espírito Santo, como afirmam alguns, já nasceu como
Messias, já era o Messias antes de seu ministério público.
Defendemos enfaticamente a Bíblia no que tange a autêntica humanidade de
Jesus Cristo (1 Tim 2.3), e esta defesa não consiste apenas naquelas
necessidades que são de caráter humano como sede, cansaço, sono, fome etc., e na
sua morte (ressurreição), mas também, que todos os milagres, sinais, curas e
perdão de pecados, Cristo realizou como homem e não como Deus, ou porque ele era
Deus. Atribuir estas maravilhas à sua natureza divina é considerá-lo um Cristo
«docético» (grego dokeo que significa «parecer»), ou seja, que ele era
«aparentemente humano». Infelizmente, é este o conceito aceito pelos
cristãos em geral. Pois, não conseguem aceitar que como homem, Cristo tenha
feito tantas coisas gloriosas neste mundo. E interessante que essas mesmas
pessoas, aceitam que Jesus tenha morrido como Salvador da humanidade, como
homem. Ora, a parte mais importante e mais difícil de sua Missão foi a cruz. Se
a cruz ele suportou como homem, foi na cruz que ele foi transpassado pelas
nossas transgressões, e moído pelas iniqüidades; o castigo que nos trás a paz
estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados (Isaías 53.5), que morreu
para nos dar o perdão, para nos redimir dos nossos pecados, tornando-se o nosso
Eterno Salvador e Redentor nos dando a Vida Eterna; se tudo isso ele fez como
homem, sendo homem, e aceitamos sem questionar, porque não aceitar que Ele
perdoava pecados? Ou que operava milagres? Como Messias e não como Deus?
Em Jesus de Nazaré, o Cristo, não havia nenhuma fusão da natureza a
divina e humana, mas unicamente a natureza humana. A natureza divina estava
realmente nEle, mas caracterizada pelo poder do Espírito Santo. O Espírito Santo
operava em Jesus do mesmo modo que atua em nós. Como homem ele se identificou
inteiramente conosco, com exceção de sua impecabilidade, pois nEle não havia
pecado algum, isto o permitiu perdoar pecados, bem como fazer expiação pelos
pecados da humanidade. Ele era o Cordeiro sem defeitos, imaculado (João 1.29).
Como o Messias de Yahweh, Cristo em sua Missão Salvadora, superou todas as
expectativas a seu respeito, e muito mais do que todas as personagens no A.T,
que eram tipos de Cristo, como Abraão, Moisés, Josué, etc.