

A instituição da Ceia do Senhor Jesus ocorreu no decorrer da
Última Páscoa, celebrada por Jesus e os Seus discípulos, na
noite em que Jesus foi traído. Foi instituída na
sexta-feira do dia 14 de Nisã (João 13.30), antes de Sua
saída para o Getsêmani, onde Jesus orou em agonia ciente do
que estava por suceder (Mat 26-27). Portanto, ocorreu no mesmo
dia da crucificação e morte de Jesus Cristo. Vede
o Dia em que ocorreu a Última Páscoa.

Por ocasião da Última Páscoa, Jesus tomou dois dos elementos que faziam parte da
Páscoa e, transforma a antiga Páscoa na Ceia do Senhor Jesus. A Páscoa judaica
havia cumprido seu propósito. Pois, profeticamente ela apontava para o
sacrifício de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus (João 1.29). O Êxodo deu vida à
nação de Israel. O sacrifício de Cristo fez nascer a Igreja, um povo proveniente
de todas as nações. «Enquanto comiam, tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e
o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o
cálice e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos. Porque isto é o meu
sangue, o sangue do Novo Concerto, que é derramado por muitos, para remissão dos
pecados» (Mat 26.26-28).
«...Enquanto comiam...» (o cordeiro assado). Enquanto pensavam na
grande libertação que Deus concedera a Israel segundo a Antiga Aliança; o Senhor
Jesus providenciava a comemoração de um novo livramento, segundo a Nova Aliança,
mediante o derramamento do sangue, e o sacrifício de um Cordeiro diferente.
Cumpre Jesus as verdades tipificadas na Páscoa judaica, deixando-a de lado para
dar lugar à Páscoa da Nova Aliança, A Ceia do Senhor Jesus Cristo, a Santa Ceia.
«... tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu e deu aos discípulos, e
disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo». Lucas acrescenta dizendo: «que por
vós é dado; fazei isto em memória de mim» (Luc 22.19, ver também em 1 Cor
11.24). Jesus tomou um pão asmo (sem fermento) disponível na Páscoa, proferiu
uma bênção, partiu-o e deu aos seus discípulos, dizendo: «...isto é o meu
corpo», isto é, Jesus deu um novo significado ao rito, dizendo que o pão
representava o Seu corpo. Jesus considerou a Si mesmo como o Cordeiro Pascal,
oferecendo-se em sacrifício para a libertação da humanidade. Na Páscoa judaica,
o pão sem fermento significava os sofrimentos dos filhos de Israel, por isso
chamado de «o pão da aflição» (Dt 16.3). Na Santa Ceia, o pão sem fermento,
ilustra o sofrimento e morte de Jesus Cristo. A distribuição dos pedaços
significa para que os que recebem, participação nos benefícios daquele Santo
Sacrifício. Por isso, a Santa Ceia é também chamada de «comunhão» (gr
koinonia), que literalmente significa «participação». Embora que Jesus na
ocasião não estivesse ainda literalmente sido oferecido em sacrifício, contudo,
Ele antecede o acontecimento, conscientizando assim os Seus discípulos sobre o
Novo significado da Páscoa: «Fazei isto em memória de mim» (Luc 22.19). Isto
comemora e renova o que Jesus fez por nós.
«...E, tomando o cálice, e dando graças...». Este era o terceiro
cálice de vinho (isto é, vinho não-fermentado misturado com água) que se bebia
na Páscoa, chamado de «o cálice da bênção» (1 Cor 10.16), porque uma benção
especial era pronunciada sobre ele; era considerado o cálice principal, já que
era tomado depois de comer o cordeiro (comer o cordeiro era a hora mais sublime
da Ceia pascal, por isso, é que Judas não comeu o cordeiro, mas saiu antes).
Assim, como Jesus abençoou o pão antes de partir, também deu graças pelo cálice,
antes de distribuir aos Seus discípulos.
«...Bebei dele todos..». A distribuição do cálice lembra-nos a
«comunhão» do sangue de Cristo (1 Cor 10.16), ou seja, compartilhar dos
benefícios obtidos através da Sua morte redentora. Na ocasião todos os
discípulos de Jesus (exceto Judas Iscariótes) compartilharam do corpo e do
sangue de Jesus Cristo, representados pelo «pão asmo» e pelo «cálice de suco de
uva misturado com água».
«...Porque isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança...». Na
distribuição do cálice, Jesus anuncia aos Seus discípulos que uma Nova Aliança
estava sendo instituída, mediante a Sua morte sacrificial, que estava sendo
selada com o Seu próprio sangue, representada pelo cálice. A Aliança instituída
por Cristo é chamada «Nova» porque contrasta àquela feita com Israel no monte
Sinai, ao iniciar o período da Lei. A primeira Aliança foi estabelecida pelo
sangue aspergido de animais sacrificados (Heb 9.16-22). A Nova Aliança tornou-se
válida, através do Sangue Imaculado de Jesus Cristo, vertido na cruz (Heb
8.6-13). A Antiga Aliança era das obras; requeria obediência a Lei (Êx 24.3-8).
A Nova Aliança leva ao perdão dos pecados e à transformação da natureza humana;
que permite que a Lei do Senhor Jeová seja amada e guardada (Jer 31.31-34; Rom
3.23-31).
«...Derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados». Todos
aqueles que, pela fé aceitam para si o sacrifício expiatório de Cristo, recebe o
perdão dos seus pecados. «Todos»: A redenção é oferecida para «todo aquele que
crê»; todos podem vir, ninguém é excluído senão àquele que assim o deseja. A
religião certa, é aquela que soluciona o problema do pecado. O Verdadeiro
Cristianismo é esta religião, porque o Seu fundador é Jesus Cristo, o qual se
deu a si mesmo em preço de redenção por todos (1 Tim 1.15; 2.3-6).

As palavras interpretativas acerca dos elementos «corpo» e «sangue» têm sido
estimadas de várias maneiras diferentes. Vejamos:
Transubstanciação:-
(do latim transubstationis). Doutrina
romanista oficialmente adotada no quarto Concílio de Roma em 1215 d.C., e,
reafirmada no Concílio de Trento em 1551 d.C. Este posicionamento teológico
ensina que, quando o sacerdote abençoa e consagra os elementos; «o pão» e o
«vinho» transformam-se, respectivamente, na carne e no sangue de Cristo. Ela
ensina que características como a aparência e o sabor dos elementos permanecem
os mesmos, mas que a essência interior, a substância metafísica, foi
transformada. Nisto fazem eles uma interpretação muito literal das palavras de
Jesus: «Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue» (Mat 26.26-28). Não há base
para qualquer equivalência literal, como sucede a doutrina romanista da
Transubstanciação. Leia em Gên 40.9-23; 41.26: Dan 7.17; Luc 8.11; Gál 4.24;
Apoc 1.20. Salientamos ainda que, comer carne humana e beber sangue humano reais
é ato de canibalismo, fato que os Apóstolos prontamente rejeitariam (Lev 17.10;
João 6.31,40,51-58; Atos 15.20).
Consubstanciação:-
(latim consubstantiatinem). Ato de se tomar uma substância
juntamente com outra. Uma posição teológica que procede dos ensinos de Martinho
Lutero, com o objetivo de explicar a função do pão e do vinho na celebração da
Ceia do Senhor Jesus. Lutero ensinava que o Corpo e o Sangue de Cristo estão
«com, dentro de e abaixo de» os elementos do pão e do vinho, doutrina esta que
posteriormente veio a ser chamada de «Consubstanciação». Os seguidores de Lutero
asseguram que no ato da Santa Ceia, o «pão e o vinho» unem-se às moléculas da
carne e do sangue de Cristo. Na verdade, Lutero por propósito estava tentando
desvincular-se da doutrina romana da Transubstanciação. Porém, de acordo seu
ensinamento, os seguidores de Lutero não conseguiram livrar-se da doutrina
romana. Assim, como a doutrina da Transubstanciação, Lutero levava a sério o
sentido literal das palavras figuradas de Cristo.
Simbolismo:-
A indicação mais valiosa acerca do significado das palavras instituidoras
proferida pelo Senhor Jesus, se encontra no papel que o alimento e a bebida
desempenharam no ritual da Páscoa judaica. Jesus disse aos Seus discípulos
mediante as Suas palavras, e, o simbolismo profético que usou, que o significado
original do rito pascal fora então transcendido, em vista do fato que Ele era
(é) o Cordeiro que cumpre as predições e prefigurações do Antigo Testamento (1
Cor 5.7). Semelhantemente, quando Jesus tomou «pão e o cálice» e deu-os aos Seus
discípulos dizendo: «Fazei isto em memória de mim...», não estava
simplesmente a exortá-los para que mantivessem boa comunhão entre si, mas,
estava-lhes transmitindo um rito mediante o qual podiam mostrar em símbolo a Sua
presença eterna com a Sua Igreja. O pão sob a Sua Palavra Soberana tornou-se o
símbolo de Seu Corpo oferecido em Sacrifício redentivo (Heb 10.5-10), e, o Seu
Sangue derramado na morte, relembrava os ritos expiatórios do A.T., o que foi no
«cálice da benção» sobre a mesa. Este cálice dali por diante fora revestido de
uma nova significação, como o memorial de um Novo Êxodo, realizado em Jerusalém.
No «pão» e no «cálice», o adorador recebe, «mediante a fé» o verdadeiro Corpo e
Sangue de Jesus Cristo. A Santa Ceia é, contudo, um ato «sagrado e espiritual».
Ela nos revela o drama do Calvário, da nossa salvação, assim também,
transmite-nos a Vitória de Jesus Cristo sobre o pecado, a morte e o diabo.
Então, portanto, o «pão» e o «cálice de vinho» simbolizam
respectivamente o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo.
Transubstanciação Espiritual:-
Contudo, a Ceia do Senhor Jesus é mais do que meramente um símbolo: porquanto
fala da realidade da transubstanciação espiritual. Em outras palavras, a
substância da natureza humana é paulatinamente transformada na natureza de
Cristo; e todos os aspectos da redenção, que envolvem as operações do Espírito
Santo, estão inclusos nisso. Assim, pois, a «natureza» de Cristo é
Transubstanciada nos remidos, por meio do Espírito Santo. Disso é que consiste a
plena comunhão com Ele, essa é a verdade salientada nesse rito. Pode-se esperar,
contudo, que o próprio rito da Ceia do Senhor Jesus envolve mais do que
meramente a simbologia, porque o grande propósito Divino da Transubstanciação
dos remidos, segundo a natureza de Cristo, é fomentado e ajudado pelo senso de
devoção e piedade que acompanha a celebração da mesma. E o espírito de respeito
e solenidade que acompanha esse memorial pode acompanhar a vida diária do
remido. Dessa maneira é que a Ceia do Senhor do Jesus é mais do que um símbolo,
pois faz parte de uma grande realidade mística (ver João 6.33, 35, 50-56). A
Santa Ceia relembra a nossa união e participação na Vida de Cristo, mas não
precisamos pensar em alguma participação literal dos elementos místicos do seu
Corpo e de seu Sangue (João 6.53).