

Dois termos são usados para expressar as duas observâncias
(Batismo em Água e a Santa Ceia) da Igreja Cristo. A palavra
«sacramento» e a palavra «ordenança». O termo «ordenança» se
deriva do latim ordo, que significa «uma fileira», «uma
ordem». A palavra «ordenança» esta relacionada ao Batismo em
água e a Ceia do Senhor Jesus. Sugerindo que essas cerimônias
sagradas foram instituídas por mandamento, ou ordem de Cristo.
Ele ordenou que fossem observadas pela Sua Igreja (Mat
28.19,20; 1 Cor 11.26).
A outra palavra usada é «sacramento», que também se deriva do
latim sacramentum, «juramento», «penhor». É a palavra
mais antiga e, aparentemente de uso mais generalizado que a
palavra «ordenança». Embora, muitos preferem usar estas
palavras como sinônimas. Era um termo usado pelos soldados
romanos, como o juramento de lealdade ao Imperador. Também era
aplicada como penhor ou seguro depositado em tesouro público
pelas partes envolvidas num processo legal, e depositado para
um propósito sagrado. No uso eclesiástico antigo, a palavra
«sacramento» era usada em sentido mais amplo, para qualquer
observância ou coisa sagrada. O termo «sacramento» foi adotado
pelos cristãos no século II, quando começaram associá-lo ao
seu voto de observância e consagração à Cristo.
Os católicos romanos atuais observam «sete» ritos
sacramentais, que são: «O Batismo», «a Confirmação», «a Ordenança», «a
Eucaristia», «o Matrimônio», «a Penitência», e «a Extrema Unção». Porém, a
maioria dos grupos protestantes Concorda entre si que Cristo deixou à Sua
Igreja, somente «duas» observâncias ou ritos sacramentais a serem incorporadas
no culto cristão, isto é, o «Batismo em Água» e a «Ceia do Senhor Jesus Cristo».
Na verdade, não há base bíblica que apóia a observância de qualquer outro rito
sacramental, ou ordenança.

A Igreja de
Jesus Cristo tem como dever e obrigação em dar prosseguimento às «ordenanças» ou
ritos «sacramentais». Tendo em vista; a sua instituição por Cristo, Sua ordem
expressa relativa a sua continuação e, seu uso essencial como símbolos dos atos
divinos, que são partes integrantes na revelação do Evangelho. Tais sacramentos
ou ordenanças estão ligados com a circuncisão e com a Páscoa judaica, os ritos
obrigatórios do A.T. (Gên 17.12; Êx 12.14,24; Lev 12.3; Jos 5.4,10; Luc 1.59;
2.21; Col 2.11,12; 1 Cor 5.7). A vida cristã está associada, em seus primórdios
e, em sua continuação, à observância dos sacramentos. Tanto a Santa Ceia como o
Batismo em Água, ambos desde os primeiros passos da Igreja de Cristo, estão
associados com a proclamação do Evangelho (Atos 2.38,41; 1Co 10.1-4, 11.26). As
ordenanças estão realmente associadas no ensino de Jesus, quando Ele fala sobre
a sua morte e, na mente da Igreja quando relembra suas solenes obrigações.
As ordenanças são ritos próprios da Nova Aliança, «Este é
cálice da Nova Aliança» (Luc 22.20; 1 Cor 11.25). A Nova Aliança teve início
pelo sangue de Cristo (Êx 24.8; Jer 31.32; Heb 9.14,15). As bênçãos Divinas são
transmitidas por intermédio de Seu sacrifício, de Sua Palavra, Sua promessa no
Evangelho e, na observância das Ordenanças, devidamente apropriados pela fé, é
verdade que não podemos nos apegar somente nos dois ritos como se isso fosse
tudo. Contudo, estas ordenanças, quando administrados de conformidade com os
princípios estabelecidos pelos santos Apóstolos de Jesus Cristo, isto é, de
acordo com a Doutrina dos Apóstolos, nos faz relembrar continuamente a grande
base da nossa salvação, a saber, Jesus Cristo, em sua morte e ressurreição, e
também nos faz lembrar que temos de andar de modo digno, segundo a vocação,
mediante a qual fomos chamados (Efés 4.1). A Igreja do Senhor Jesus Cristo, deve
levar muito a sério a ênfase e a instrução bíblica sobre as duas ordenanças,
«o Batismo em Água» e a «Ceia do Senhor Jesus Cristo» e, regozijar-se, porque o
seu significado continua sendo tão relevante e aplicável como era para a Igreja
de Cristo, no primeiro século. Contudo, é preciso que a Igreja de Cristo dos
dias atuais, siga nos mesmos trilhos da Igreja Primitiva.

A palavra
«ceia» é no latim coena, que significa «refeição noturna», ou seja,
refeição que se come à noite, depois do jantar, em geral a última do dia. A
origem da ceia é religiosa. Entre os gregos antigos, a ceia se realizava em
banquetes públicos, comemorativos das grandes festas, quando então, começava com
um sacrifício; podia também ser realizada particularmente. Mais tarde, dos
costumes antigos, permaneceram apenas as invocações e libações, e a cerimônia da
ablução dos pés e mãos. A ceia, geralmente se realizava depois do pôr-do-sol e,
entre os gregos e romanos, do Império, nas comemorações das grandes datas,
começava às primeiras horas da noite, quando ia até ao amanhecer. Foi durante a
Última Ceia Pascal que, Jesus instituiu uma outra Ceia, chamada de «Ceia do
Senhor [Jesus]» (Mat 26.17-28; 1Cor 11.20), ou «Mesa do Senhor [Jesus]» (1Cor
10.21). Agostinho costumava chamar a Ceia do Senhor Jesus de «a mesa de Cristo»,
ou então «a grande mesa».
Atualmente as denominações cristãs, têm por costume, celebrar
a «Ceia» durante o dia, ou seja, durante o período diurno. Todavia, esta é uma
prática incorreta, que confronta com a Bíblia, compare: Primeiro:
A Ceia pascal dos judeus somente era (e ainda é) comida durante o «período
noturno» do dia 15 de Nisã, ou seja, após o pôr-do-sol do dia 14 (Êx 12.8). A
Última Ceia pascal em que Jesus celebrou com os Seus discípulos, foi «na noite»
do dia 14 de Nisã, aliás, não há nenhuma evidência bíblica que venha a apontar
sobre uma Ceia pascal realizada durante o «dia», isto é, durante o período de
claridade; e, nem tão pouco pode haver tal evidência.
Segundo:
Uma vez que a palavra «ceia» significa «refeição noturna», como todos sabem,
então, é algo extremamente discordante, sem fundamento, sem ética celebrá-la
«durante o dia» (período diurno). Se for celebrada «durante o dia», então «não é
ceia» de modo algum, mas, podendo ser «o café da manhã» ou «o almoço» e assim
por diante, mas não uma «Ceia». Uma Ceia não é celebrada durante o
dia, tão somente durante à noite. Portanto, fica manifesto, que a Ceia do
Senhor Jesus Cristo, só deve ser celebrada durante o período noturno (de noite),
e nunca no período diurno (de dia). Caso contrário, como já dissemos, não
poderemos considerá-la e, nem tão pouco é uma Ceia. Não faz sentido
celebrar uma Ceia durante o dia. Lembrando, os que insistem em celebrar a
Ceia durante o período diurno, ignoram a realidade e propósitos contidos
nela.