

Quando se
pergunta sobre a origem celestial de Jesus Cristo, as pessoas são levadas a
crer (citando, por exemplo, João 1.1-14), que Cristo já existia antes da
encarnação, como Filho de Deus, isto é, que Ele era pré-existente como
pessoa distinta do Pai. Essa forma comum de expor a identidade celestial de
Jesus, até parece expressar a realidade.
Segundo este tipo de raciocínio
ou interpretação (se é que é uma interpretação, pois vemos nisso claramente
uma “acomodação” bíblica), de acordo com as passagens de João 1.1-14; Filipenses 2.6,7, a definição sobre a encarnação do Logos, tem sido esta: Na
encarnação houve uma fusão entre o divino (Logos) e o humano (Jesus), de
modo que Ele continuou sendo Deus (distinto do Pai), que ele não renunciou
os atributos divinos como onisciência, onipresença, sendo que a sua
renúncia consiste no fato de que ele assumiu a forma dum servo e ocultou a
sua glória natural, tornando verdadeiro homem. Este tipo de definição tem
sido a crença ensinada até os dias atuais.
A fusão do divino-humano é uma
tentativa de explicar a encarnação de Cristo, baseada na sua existência como
pessoa separada do Pai. Estritamente falando, de acordo com os ensinamentos
bíblicos, a união do divino-humano, não significa de modo algum uma
encarnação, outrossim, isto é expressar de que Jesus Cristo foi
«aparentemente» humano (docético). Portanto, este tipo de ensino é o mesmo
que era ensinado pelos gnósticos, um grupo
herético da era apostólica, agora com uma roupagem diferente.
Veja bem, se Jesus Cristo era ao
mesmo tempo divino e humano, então a sua humanidade não era total, ou seja,
daí seria ele era meio Deus e meio homem, daí pode-se dizer que os seus
sofrimentos, bem como a sua crucificação e morte, não foram reais, apenas
aparentemente reais, pois contava com o seu lado divino, o qual poderia ter
amenizado ou reduzido a zero, todos os seus sofrimentos, dando somente uma
impressão que era real. Fusão, não é o mesmo que encarnação,
resumidamente; a crença que se tem quanto à origem celestial Cristo, é que
em seu estado pré-existente como logos (distinto do Deus Altíssimo -
como Filho), se encarnou tornando-se também homem (Jesus), vindo a possui
uma natureza divina e humana, e que exerceu o seu ministério compartilhando
ao mesmo tempo com duas naturezas.
A Bíblia não
ensina-nos em
parte alguma, que o homem Jesus de Nazaré compartilhava ao mesmo tempo
com duas naturezas, ou seja, a natureza
divina e humana; mas tão somente uma única natureza, a humana.
Jesus sempre se colocava como
sendo «um enviado de Deus», como sendo o Filho que o Pai enviou a este mundo
(João 3.16,17; 6.38; 7.29; 8.42; 9.4; 10.36; 17.3,8,21)
Em João 1.1, uma passagem bem
conhecida e, empregada com freqüência, como meio de expor a pré-existência
de Cristo, como pessoa distinta do Deus Altíssimo diz: Vede os versos 2-
4 e 14.
Dizer que Jesus foi Filho de Deus
desde a eternidade, ou seja, que Ele já existia antes da sua encarnação e
que não foi o nascimento virginal que o fez Filho de Deus, embasado
aparentemente em alguns versículos (como 1.1-14 e Filip 2.6), é desconhecer a
pessoa de Jesus Cristo. Maria não foi apenas «uma espécie de incubadora»,
Maria participou ativamente da encarnação de Jesus. Embora a expressão
«Filho de Deus», tenha uma aplicação mais ampla do que apenas o nome de
Jesus, no entanto, com a respeito a Cristo se aplica precisamente pelo fato
que o seu espírito foi gerado em Maria pelo Espírito Santo. Nisto é
que consiste a origem celestial de Jesus.
Cristo já existia sim, antes da
encarnação, não como uma pessoa distinta do Deus Altíssimo, pois Ele
próprio é o Deus Altíssimo, o «EU SOU» (João 8.58). Na sua encarnação (Jo
1.14), Ele «...se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em
semelhança de homens, e, reconhecido em figura humana, assim mesmo se
humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz» (Fp 2.7,8).
Yahweh, ao se encarnar, tomou a
posição de Filho de Deus (João 1.15), não deixando de ser Deus, ou
seja, como «Pai» Ele continuou sendo o El Shadday, e, com Filho Ele era
Jesus Cristo. Alguém pode argumentar, como que uma pessoa somente seria Pai
e Filho ao mesmo tempo? A resposta é, em que é composta a Natureza divina?
Jesus disse à mulher Samaritana «...Deus é Espírito...», alguém pode
explicar em que se consiste a composição do Espírito? Ou, alguém pode
explicar «um milagre»? Porventura, não são coisas que os nossos raciocínios
não conseguem explicar! Lembre-se, que a encarnação do Logos, é um dos
maiores milagres que a humanidade recebeu. Então, não adianta martirizar a
nossa mente, querendo que a encarnação da Palavra, seja algo que esteja ao
alcance da lógica humana. Deus é Espírito, e isto basta!
A expressão «Unigênito do Pai»,
de João 1.15, não expressa à geração eterna do Logos,
como entendem e afirmam. O sentido aqui expresso, refere-se ao nascimento
virginal de Jesus, ou seja, é a partir do seu nascimento virginal é que Ele
veio a ser o «Unigênito» de Deus. Adam Clark expressou corretamente ao
dizer: «Isto é, o único filho nascido de uma mulher, cuja natureza humana
não derivava do modo ordinário de geração; porque era mais uma criação,
operada no ventre da virgem mediante a energia do Espírito Santo». Isto não
é
àquilo que os teólogos têm chamado de “geração eterna”; pois esse tipo de
ensino tem como propósito em defender a pré-existência de Jesus, como Filho
de Deus (como pessoa distinta do Pai), antes da encarnação. Em defesa da tal
trindade, eles fazem de tudo, até mesmo engenhosas interpretações ou
acomodações bíblicas.
A idéia de uma geração eterna
do Filho, contraria o monoteísmo. Pois, se Filho já existia como pessoa
distinta do Pai, então, o cristianismo não seria uma religião monoteísta,
mas sim, triteísta. É muito ridículo o conceito, de que crer numa
trindade, é crer no monoteísmo.
A Bíblia ensina-nos, que Cristo
foi um Homem, um Homem Celestial. Paulo o chama de «último Adão». «...O
primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é
espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e, sim, o natural:
depois o espiritual. O primeiro homem formado da terra, é terreno: o segundo
é do céu» (I Cor 15.45-47). Jesus foi um homem espiritual, do céu, porque o
seu espírito (ou alma) era puro. O seu espírito humano, não foi criado do
modo ordinário, isto é, da mesma maneira que são criados os espíritos dos
homens em geral. Pois o espírito humano de Jesus, foi criado pela energia ou
poder, direto do Espírito Santo (Mat 1.18-20; Luc 1.31-35). Esse espírito
humano, gerado pelo Espírito Santo, no ventre da virgem Maria, é que
veio a ser o Homem Jesus Cristo, chamado Filho de Deus. Esse mesmo
espírito humano, era do próprio Espírito Santo, e, que é o mesmo Deus
Altíssimo. O Logos, a Palavra, que é o mesmo Deus Altíssimo, e não uma
pessoa distinta do mesmo, se encarnou, tornou-se humano, após gerar em Maria
o seu próprio espírito humano, igual ao nosso espírito (ou alma), com
exceção de sua impecabilidade. Assim, o Deus Jeová, veio habitar
entre os homens, como homem, chamado pelo profeta Isaías de Emanuel (Isaías
7.14).