

A primeira Páscoa, a qual foi realizada no Egito, foi
diferente das demais que foram realizadas posteriormente. A
Páscoa realizada no Egito está relacionada à décima praga; a
morte dos primogênitos dos egípcios e de seus animais e,
também com a saída de Israel do Egito (Êx 12). Naquele dia,
cada família fora instruída a imolar um cordeiro, ou cabrito,
sem defeitos, e, aplicar o seu sangue nas ombreiras e na verga
da porta de suas casas, como sinal que lhes asseguraria
segurança se ficassem em casa. Contudo, precisavam obedecer à
ordem divina. Portanto, o sangue aspergido nos marcos das
portas, fora efetuada com fé obediente (Êx 12.28; Heb 11.28);
essa obediência pela fé, então resultou na redenção mediante o
sangue (Êx 12.7,13). Evidentemente o evento da Páscoa e do
Êxodo, é sem dúvida, a mais linda história de Israel no A.T. A
história de um povo resgatado da escravidão. Temos realmente
certeza, de que se Deus, não houvesse agido e libertado o Seu
povo, da escravidão do Egito, a história de Israel seria
outra.
As celebrações anuais da Páscoa judaica concentravam-se
em dois principais propósitos, que são:
1.1) Memorial: - «...Este dia vos será por memória,
e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor (Yahweh); nas vossas gerações e celebrareis
por estatuto perpétuo. E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que
culto é este vosso? Então, direis. Este é o sacrifício da Páscoa de Jeová, que
passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou
as vossas casas» (Êx 12.14,26 e 27, grifo nosso). Uma tão grande Salvação,
realizada por Deus em prol de Seu povo, não poderia jamais cair no esquecimento.
Vemos que, os Filhos de Israel foram instruídos por Deus, a solenizar todos os
anos a sua libertação da escravidão no Egito, bem como, o livramento de seus
primogênitos. Todos os anos na Festa da Páscoa; os filhos de Israel, nas
gerações futuras, haveriam de fazer esta pergunta a seus pais; «Que culto é
este?» Com relação ao significado deste culto, deveriam responder que se tratava
do «sacrifício da Páscoa a Jeová» (Êx 12.27). Por conseguinte, era uma festa em
torno da redenção de Israel do Egito. Aliás, solenizada ainda pelos judeus até
os dias de hoje.
1.2) Simbolismo Profético: - O Senhor Jeová, bem que poderia ter
determinado a morte dos primogênitos dos egípcios e, poupado os primogênitos dos
filhos de Israel, sem que houvesse a necessidade de ordenar que cada família
escolhesse um cordeiro (ou cabrito), de um ano de idade, sem defeito, e fosse
sacrificado e seu sangue aspergido nos lugares indicados (na verga e nas
ombreiras da porta). Deus poderia ter agido de outro modo, punindo Faraó, e
libertando o Seu povo da escravidão, sem que fosse necessário sacrificar um
inocente animalzinho. Mas, é Ele, quem controla todas as circunstâncias e, sabe
perfeitamente o que faz e o que deve ser feito. Com todos estes acontecimentos,
Yahweh, teve como propósito primordial, prenunciar a morte de Jesus Cristo; o
alvo era ensinar Israel e, colocar em suas mentes, a salvação pelo «sangue»,
preparando-os para o advento de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o
pecado do mundo (João 1.29). É importante sabermos, que o cordeiro morto por
cada família israelita, tornou-se o substituto de seu primogênito, uma vez que a
morte não teve poder sobre as casas que estavam marcadas com sangue. Nisto, os
israelitas, então, deveriam aprender sobre a substituição, isto é, substituir os
inocentes pelos culpados.
É notório que no A.T., todos os sacrifícios de animais exprimiam o
princípio, que devia verificar-se em sua plena realidade na morte de Nosso
Senhor Jesus Cristo. O Senhor Yahweh concedeu ao povo do A.T., uma prefiguração
do sangue derramado por Jesus Cristo, da Sua morte vicária (em nosso lugar),
pelos nossos pecados, da morte do justo pelos injustos, uma vez por todos. A
Epístola aos Hebreus mostra-nos que os sacrifícios do A.T., eram na melhor das
hipóteses, uma resposta incompleta do problema do pecado (Heb 8; 9; 10.1-15).
Cessaram esses sacrifícios, mas ainda hoje eles nos ajudam a entender o
significado da cruz, o significado do sacrifício de Nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo.
Relato
bíblico sobre a última páscoa e a instituição da Santa Ceia
Durante vários séculos a páscoa judaica viera apontando para o sacrifício de
Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus (João 1.29). Todavia, chegara o tempo do Senhor
Jesus, celebrar a Última Páscoa, juntamente com os seus apóstolos. Este era o
momento que Jesus tanto esperava (Luc 22.15). Foi na noite que precedeu a Sua
morte, que Jesus e os Seus discípulos comeram a Última Páscoa, substituiu pela
Sua Ceia e depois foi morto como o Cordeiro Pascal (Mat 26.17-29; Marc 14.12-26;
Luc 22.7-20; João 13 e 14). Portanto, houve duas ceias; a Ceia da Páscoa e a
Ceia do Senhor Jesus. Esta foi instituída no final daquela. Lucas menciona
dois cálices (Luc 22.17-20); Mateus, Marcos e Lucas mencionam ambas as
ceias, João somente cita a Páscoa.
A instituição da Santa Ceia, é relatada por dois apóstolos que foram
testemunhas oculares e participantes dela, a saber; Mateus e João. Marcos e
Lucas, embora não estivessem presentes na ocasião, suprem alguns pormenores. O
apóstolo Paulo, ao dar instruções aos coríntios, fornece esclarecimento sobre
algumas de suas particularidades (1 Cor 11.17-34). Tais fontes nos dizem que, na
noite antes da Sua morte, Jesus se reuniu com os Seus doze apóstolos em um
cenáculo mobiliado para celebrar a Última Páscoa (Mat 26.17-29 e ref.). Com o
desejo de cumprir toda a justiça e honrar a lei cerimonial, que ainda durava,
Jesus ordenou tudo o que era necessário para comer a Última refeição pascal com
os Seus discípulos. Tudo foi feito como Jesus ordenara, e prepararam a Páscoa
(Mat 26.17-19). «E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com o doze» (vs.20). O
evangelista Lucas relata que Jesus desejava ansiosamente comer a Última Páscoa
com os Seus discípulos. «E disse-lhes: tenho desejado ansiosamente comer
convosco está Páscoa, antes do meu sofrimento» (Luc 22.15).
Jesus tomou os elementos da Páscoa e deu uma nova significação. Mateus
relata: «Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o
deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o
cálice e dando graças deu-lho dizendo; bebei dele todos. Porque isto é o meu
sangue do Novo Pacto, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E
digo-vos que, desde agora, não bebereis deste fruto da vide até àquele dia em
que beba de novo convosco no reino de meu Pai. E tendo cantado um hino, saíram
para o Monte das Oliveiras» (Mat 26.26-30). A Páscoa judaica encontra seu
comprimento e seu fim na, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A Páscoa
no A.T. e a Ceia do Senhor Jesus no N.T., ambas apontam para uma mesma coisa; o
Sacrifício de Jesus Cristo! A primeira estava distante da outra por quase quinze
séculos, e tinha um caráter prospectivo; apontava para a Cruz de Jesus Cristo; a
segunda, a Ceia do Senhor Jesus, também chamada de Santa Ceia, têm um caráter
retrospectivo; apontando também à morte de Jesus Cristo.
A Ceia do Senhor Jesus inicia uma nova era e aponta para uma obra já
consumada. Podemos observar que, «duas festas uniram-se nesta celebração». No
cenáculo deu-se um acontecimento notável: A Festa Pascal foi solenemente
encerrada (Luc 22.16-18), e a Ceia do Senhor Jesus instituída com uma solenidade
ainda mais sublime do que a Páscoa (Luc 22.19-21; 1 Cor 5.7). Portanto, naquela
ocasião terminou um período e começou outro; Cristo era o cumprimento de uma
ordenança e a consumação da outra. A Páscoa agora tinha servido seu propósito
profético, porque o Cordeiro que o sacrifício simbolizava, ia ser morto naquele
dia. Por isso foi substituída por uma «nova instituição», apresentando a
verdadeira realidade do Cristianismo, como a Páscoa tinha apresentado a do
Judaísmo.
O tempo em que ocorreu a ultima páscoa
O Dia exato da celebração da Última Páscoa é um dos assuntos debatidos pelos
estudiosos. Diferentes tipos de interpretações têm sido expostos. Isto é o que
veremos abaixo:
Primeira interpretação:
Esta interpretação julga que a ordem de Jesus aos seus discípulos para que
fizessem os preparativos para a Páscoa, sucedeu na «quarta-feira» do 13 de Nisã,
e que a Ceia pascal, foi comida no começo da «quinta-feira» do dia 14 de Nisã;
neste caso colocam a crucificação de Jesus como ocorrida na «quinta-feira 14 de
Nisã», que é incorreto.
Segunda interpretação:
Estes com base nos Evangelhos sinópticos (Mat 26.17; Mc 14.12; Luc 22.7),
sustentam que os preparativos para a Páscoa, foram feitos na tarde da
«quinta-feira» do dia 14 de Nisã, e que a Ceia pascal foi comida no começo (na
noite) da «sexta-feira do dia 15 de Nisã». Estes colocam a crucificação de Jesus
para esta última data, que é também incorreto.
Terceira interpretação:
Para os que defendem está interpretação, Jesus enviou dois dos Seus discípulos à
procura de um cenáculo que Ele mesmo indicara, para que assim fizessem os
preparativos para a Páscoa, na «quinta-feira do dia 13 de Nisã» e, que Jesus e
os discípulos comeram a Ceia pascal (na qual em seguida Jesus instituiu a Santa
Ceia), na noite da «sexta-feira do dia 14 de Nisã». De acordo com essa
interpretação, Jesus foi crucificado na hora terceira da «sexta-feira do dia 14
de Nisã».
Destas três interpretações que acabamos de ver, a «terceira» é a que se
harmoniza com o desenrolar dos fatos, desde a ordem de Jesus para os
preparativos para a Páscoa até a Sua crucificação. Para confirmar esta
interpretação, é necessário fazermos algumas objeções, vejamos em seguida:
De acordo com Mateus, Marcos e Lucas, Jesus enviou dois de Seus discípulos
para que fizessem os preparativos da Páscoa «No primeiro dia da festa dos
pães asmos» [Páscoa], dando a entender ser o dia 14 de Nisã, sendo assim,
era realmente o dia em que eram imolados (entre as duas as tardes) no Templo os
cordeiros pascais. Entretanto, João, sem mencionar os preparativos (que segundo
Lucas foram Pedro e João os dois discípulos enviados por Jesus para fazerem os
preparativos para a Páscoa – Luc 22.8), transmite-nos uma expressão diferente
dos sinópticos, quando ao se referir à Última Páscoa celebrada por Jesus e seus
discípulos, prefere em dizer que ela (Última páscoa) acorreu «antes da festa da
Páscoa» (João 13.1).
Realmente o maior desafio consiste em esclarecer, se a Última Ceia pascal,
ocorreu no começo do dia 14 ou no começo do dia 15 de Nisã. O que
já podemos afirmar, é que, a crucificação de Jesus, ocorreu na sexta-feira,
e não na quinta-feira, como supõem a primeira interpretação a qual
temos visto acima. Tal fato é confirmado nas palavras do apóstolo João que diz:
«Então os judeus, para que no sábado ficassem os corpos na cruz, visto como era
a preparação» (João 19.31). «...Preparação...», no grego
parasceve, «...sexta-feira...», no hebraico é erebh
shabbath, isto é, o dia anterior ao sábado.
Depois de confirmado que a crucificação de Jesus Cristo se deu na manhã da
«sexta-feira», assim também fica comprovado que a Última Ceia pascal ocorreu
após o início da «sexta-feira», ou seja, após o pôr-do-sol da «quinta-feira»
(o dia judaico começa às 18h). Sendo assim, os preparativos da Páscoa foram
feitos na tarde da «quinta-feira». Como já sabemos que a celebração da Última
Ceia Pascal se deu na sexta-feira, agora, precisamos esclarecer, se
aquela quinta-feira da Paixão, era dia «13» ou «14» de Nisã. De modo como
já vimos, pelas expressões dos sinópticos (Mat 26.17; Marc 14.12; Luc 22.7),
sugerem que aquela «quinta-feira» era «14 de Nisã» (veja sobre a «segunda
interpretação»). E, segundo João era «antes da Festa da Páscoa» (João 13.1).
Portanto, há uma aparente contradição entre os sinópticos (Mateus, Marcos,
Lucas) e João. Pela aparente expressão de linguagem dos sinópticos, a Última
Páscoa ocorreu no dia 15 de Nisã, neste caso indica que Jesus foi crucificado no
dia 15 de Nisã, ou seja, na manhã deste dia. Todavia, segundo o
desenrolar dos fatos, os preparativos para a Páscoa foram feitos, na
quinta-feira do dia «13 de Nisã», e que a Última Ceia Pascal de Jesus e os
seus discípulos, foi realmente comida na noite, ou seja, após o início da
«sexta-feira do dia quatorze de Nisã». Tais fatos são confirmados pelas
seguintes razões:
1.
Se realmente aquela sexta-feira fosse «15 de Nisã», então, seria um dia
de feriado religioso. Todos os anos o dia 15 de Nisã era um dia de
Santa Convocação (Êx 12.16), isto é, o primeiro dia da Festa dos Pães
Asmos, e, conforme a ordem Divina, neste dia nenhuma obra podia ser feita,
exceto o que diz respeito à comida, isso poderia ser feito (Vede «Os Dias de
Santas Convocações»). Por conseguinte, o dia «15 de Nisã», era um dia de repouso
igual ao sábado semanal. Diante disso, vamos juntos raciocinar: Porventura,
violaria os judeus um feriado religioso para prender, julgar, condenar e
crucificar Jesus Cristo? Não, jamais fariam isto num feriado religioso, mesmo em
se tratando de um suposto malfeitor (Luc 22.52).
2.
Nos tempos de Jesus Cristo, os cordeiros pascais eram imolados no Templo, em
Jerusalém, na tarde do dia 14 de Nisã (Deut 16.5,6). O cordeiro que Jesus
e os seus discípulos comeram por ocasião da Última Páscoa, não foi abatido no
Templo, mas sim, no lugar onde fizeram os preparativos da Páscoa, ou seja,
possivelmente no cenáculo (Luc 22.8-13).
3.
Se aquela «quinta-feira» tivesse sido «14 de Nisã», obviamente, todos os demais
judeus também teriam imolado os cordeiros pascais e não somente os discípulos de
Jesus Cristo. Para isso, teriam também os demais judeus comido a Ceia pascal ao
mesmo tempo em que Jesus e os Seus comeram a Última Ceia Pascal, isto é, na
noite da «sexta-feira 15 de Nisã». Teriam crucificado Jesus na «sexta-feira
15 de Nisã»?
3.1.
Não há nenhuma evidência bíblica que venha a indicar que os judeus tenham
celebrado a Páscoa ao mesmo tempo em que Jesus e os seus discípulos a
celebraram-na. Pelo contrário, pela cronologia dos acontecimentos, fica evidente
que Jesus e os Seus discípulos celebraram a Última Páscoa com um dia de
antecedência, ou seja, cerca de 24 horas antes. A Páscoa oficial, isto é, a
ceia pascal dos judeus, somente ocorreu depois do pôr-do-sol da «sexta-feira»,
precisamente na noite do «sábado», quando Jesus já estava na sepultura.
3.2.
Outro fato que comprova que aquela «quinta-feira» não foi «14 de Nisã» (e que na
verdade a sexta-feira não foi «15 de Nisã»), se verifica nas palavras do
apóstolo João, quando ao indicar o tempo do julgamento final de Jesus, disse:
«Ora, era a preparação [gr parasceve] da Páscoa, e cerca da
hora sexta...» (João 19.14a). A expressão «...preparação...», nesta
passagem tem o sentido diferente da expressão «preparação», do versículo
31 deste mesmo capítulo. A expressão «preparação» aqui enfocada, diz
respeito «à véspera da Páscoa», hebraico erebh ha-pesah, e não exatamente
o dia anterior as sábado, conforme João 19.31. Esta passagem (vs.14) indica que
era o momento (na «hora sexta» certamente é a hora romana, às 6h da manhã, pois
o dia romano começava à meia-noite) em que os judeus estavam fazendo os
preparativos para a Páscoa, o que incluía o abate dos cordeiros na tarde daquele
dia (sexta-feira, 14 de Nisã), para que assim fosse comido (ceia pascal), após o
pôr-do-sol, quando se dava início a um novo dia, isto é, o sábado 15 de Nisã
(Mat 27.15; Marc 15.6,42, João 18.39). Neste caso, fica evidente que até o
momento da crucificação de Jesus, os judeus ainda não haviam celebrado a ceia
pascal.
3.3.
Jesus não foi crucificado no dia «15 de Nisã», ou seja, aquela «sexta-feira» não
foi 15 de Nisã, como aparentemente indicam os evangelistas Mateus, Marcos
e Lucas. Jesus Cristo celebrou a Última Ceia Pascal com os Seus discípulos na
noite da «sexta-feira dia 14 de Nisã», e foi crucificado no mesmo dia, porém, na
manhã deste dia, na «hora terceira» judaica (cerca das 9h). Pois, Jesus expirou
na cruz no mesmo dia (14 de Nisã) em que no Templo eram imolados os cordeiros
pascais (isto é, na hora nona judaica, cerca «das 15 horas» em
nosso horário). É bom termos em mente que, Jesus também cumpriu com perfeição o
«fator tempo» determinado pela Lei Mosaica, como «dia» e «hora». E, este dia
era «quatorze do primeiro mês» do calendário Sagrado judaico, ou seja, 14
de Abibe ou Nisã, e, esta hora era «às 15 horas» (hora nona). Jesus
Cristo é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, o antítipo dos
cordeiros pascais.
A
possível ordem dos acontecimentos, entre a quinta e a sexta-feira da semana da
Paixão
Segue abaixo; a ordem provável dos acontecimentos entre a «quinta-feira» (13 de
Nisã) e a «sexta-feira» (14 de Nisã) da Semana da Paixão:
No quinto dia semana (13 de Nisã), Jesus enviou dois de Seus discípulos
(Pedro e João) para que fizessem os preparativos para a Páscoa, num cenáculo que
Ele mesmo indicara (Mat 26.14-19). Ao declinar do dia Jesus seguiu com os Seus
discípulos para esse lugar (Marc 14.17). Depois do pôr-do-sol (início da
sexta-feira, 14 de Nisã) assentaram-se juntos (ou melhor, se inclinaram conforme
o costume romano) Jesus e os seus discípulos para participar da Última Páscoa.
No decurso da refeição pascal, Jesus levantou-se e lavou os pés dos discípulos
(João 13.4-20). Em seguida com grande tristeza, Jesus predisse que um dos doze
havia de traí-lo; antes de comer o cordeiro e após comer um pedaço de pão
molhado (na sopa de frutas) que Jesus lhe dera, Judas Iscariótes se retirou para
não mais voltar à presença do Mestre, senão na hora da traição, no Jardim (João
13.26,27). Depois da celebração da Ceia Pascal (rito característico do A.T.)
pela última vez; então Jesus instituiu simbolicamente o pão dizendo: «Isto é o
meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim» (Luc 22.19). «Semelhantemente,
depois de cear tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da Nova Aliança no meu
sangue, derramado em favor de vós» (Luc 22.20). Depois de celebrar a Santa
Ceia, Jesus instruiu os Seus discípulos e consolou-os dizendo: «Não se turbe o
vosso coração...» (João 14.1). Jesus Intercedeu por Si mesmo e pelos Seus
discípulos, com uma oração sacerdotal (isto é, oração feita de joelhos – João
17.1-26), cantou um hino e saíram para o Getsêmani, onde foi para orar, durante
o tempo em que precedia a sua traição e prisão. Foi naquele lugar onde Jesus
sofreu a mais dura agonia antes da cruz. Tendo sido fortalecido, Jesus recebe a
visita esperada do traidor (Judas), tendo em companhia uma multidão de pessoas.
Após um beijo traiçoeiro, Judas indicou a vítima, aos soldados. Então, Jesus foi
preso, em seguida acusado, julgado, maltratado, escarnecido, condenado e
crucificado (Mat 26.17 ss.; Marc 14.25 ss.; Luc 22.7 ss.; 23; João 13-19).
Portanto, fica esclarecido que Jesus e Seus discípulos não celebraram a
Última Páscoa no dia oficial (que seria na noite do dia 15), mas com «um dia
de antecedência», ou seja, cerca de 24 horas antes. E, que isto ocorreu, na
noite da sexta-feira do dia 14 de Nisã (que começou às 18h da
quinta-feira, 13 de Nisã).
Os elementos que fizeram parte da última páscoa
Quando Jesus enviou dois de Seus discípulos (Pedro e João) para fazerem os
preparativos da Páscoa, tinham eles a seguinte missão:
Primeiro; encontrar um homem que levava um cântaro de água e segui-lo.
Normalmente
quem carregava água eram as mulheres, por isso não devia ser difícil identificar
este homem (Marc 14.13).
Segundo; perguntar a ele: «O Mestre diz [eles foram como
representantes de Jesus]: Onde está o aposento em que ei de comer a Páscoa com
os meus discípulos?» (Marc 14.14,15).
Terceiro; fazer os preparativos da Páscoa, «...preparai
ali» (Marc 14.15). Os preparativos eram: «Imolar e assar o cordeiro,
providenciar pães asmos, ervas amargas, sopa de frutas, água salgada e suco de
uva (não-fermentado)».
Estes elementos que faziam parte da Páscoa judaica, cada um
tinha um significado especial.
O
Cordeiro Pascal: Lembrava a
proteção, o livramento dos primogênitos da casa dos filhos de Israel, quando
cada família israelita aspergiu o sangue do cordeiro nas ombreiras e na verga da
porta. Era uma lembrança e uma comemoração deste maravilhoso livramento (ver Êx
12).
Os Pães Asmos:
Lembravam a saída urgente de Israel da terra do Egito. Esses pães asmos também
representavam a separação entre os israelitas redimidos e o Egito. Também
chamado de «pão de aflição», que representava os sofrimentos dos filhos de
Israel (Êx 12.15,34,39, Deut 16.3).
Água Salgada:
Lembrava as lágrimas salgadas derramadas pelos israelitas durante os seus anos
de escravidão no Egito.
Ervas Amargas
(hb marór): Lembravam as amarguras da escravidão no Egito (Núm 9.11).
A Sopa de Frutas (hb
charoshet): Lembrava a massa de tijolos que os filhos de Israel tinham de
preparar na terra do Egito (Êx 5.6-19).
Quatro Cálices (copos) de Vinho:
Lembravam as «quatro promessas» de Êxodo 6.6,7.
Conforme acima mencionado, empregavam-se «quatro cálices» de
vinho misturado com água que a Bíblia nada diz. Segundo a tradição judaica,
tomam-se «quatro cálices» de vinho porque a Bíblia usa quatro verbos diferentes
para descrever o drama da redenção do cativeiro do Egito. As quatro citações à
redenção podem ser encontradas no livro de Êxodo, capítulo 6 e versículos 6 e 7.
1. E vos «tirarei» de debaixo da carga dos egípcios.
2. E vos «livrarei» da sua servidão.
3. E vos «resgatarei» com braços estendidos e grandes
juízos.
4. E vos «tomarei» por meu povo.
A Páscoa celebrada nos dias hoje pelos judeus sofreu
alteração. Por exemplo; o sacrifício dos cordeiros se manteve enquanto o Templo
de Jerusalém existia (Deut 16.1-6). Com a sua destruição pelos romanos, em 70
d.C., o sistema de Sacrifícios terminou e foi substituído completamente pelos
serviços de orações, que também aconteciam durante a existência do Templo.
A Festa judaica contemporânea chamada Seder, já não é
celebrada com o cordeiro assado. Entretanto, as famílias ainda se reúnem para a
solenidade e, o pai da família narra toda a história do Êxodo, conforme a
prescrição de Yahweh (Êx 12.14,26,27). Enquanto, que para os judeus o
oferecimento de sacrifícios terminou quando os romanos destruíram o Templo de
Jerusalém em 70 d.C.; no entanto, os samaritanos continuam a oferecer todos os
anos os sacrifícios pascais no monte Gerizim, de acordo com a lei judaica.