
A Páscoa celebrada no «segundo mês» (14 de Zive), hebraico
Pessach Sheni às vezes denominado «Páscoa Menor», era na
verdade uma oportunidade para aqueles que estavam
cerimonialmente impuros, ou que estivessem em uma jornada
longe da sua terra, por ocasião da Páscoa do «primeiro mês»
(14 de Abibe ou Nisã). Visto que o verdadeiro aniversário da
libertação de Israel do Egito é o primeiro mês e não o
segundo mês. O propósito de Yahweh era que todos
celebrassem a Páscoa no «primeiro mês», entretanto, surgiam
casos imprevistos, como; pessoas que acidentalmente
tornavam-se impuras por tocar num cadáver (vede mais adiante),
e outras por se acharem de viagem, fora dos termos de Israel,
isto os impedia que participassem da Festa na época
determinada. Yahweh na sua misericórdia adiava a Páscoa para
estas pessoas, passando para o dia 14 do segundo mês.
Neste caso, não celebravam a Festa dos Pães Asmos (dia 15 a
21), só comiam a páscoa. – A páscoa realizada no primeiro ano
do reinado Ezequias, foi acompanhada por uma Festa que durou
14 dias. Vede «A Páscoa Celebrada por Ezequias». Concernente a
Páscoa realizada no mês de Zive, temos duas passagens
registradas nas Escrituras, que são: Primeiro; a
Páscoa celebrada no deserto do Sinai, no 2º ano da saída dos
filhos de Israel da terra Egito (Núm 9.6-14). Segundo;
a Páscoa celebrada no 1o ano do reinado de Ezequias
(2 Crôn 30.1-15).

Após da celebração da Páscoa no Egito, na noite que aconteceu o
Êxodo, deparamos em Números capítulo 9.1, Yahweh dizendo a Moisés (no segundo
ano depois do Êxodo) no «primeiro mês» para que os filhos de Israel celebrassem
a Páscoa no seu tempo determinado; isto é, no dia «catorze do mês» (Abibe ou
Nisã) à tarde, segundo todos os estatutos e segundo todos os ritos, conforme
ordenara o seu servo Moisés (Núm 9.1-5). No dia 14 de Abibe celebraram a Páscoa.
Entretanto, naquele mesmo dia, alguns do povo vieram à procura de Moisés e Arão,
dizendo que não poderiam celebrar a Páscoa de Yahweh no seu tempo determinado,
por estarem cerimonialmente impuros pelo corpo de um homem morto (Núm 9.6, 7).
Ver
A
Purificação Exigida pela Lei
Diante deste problema surgido, os lideres de Israel não puderam dar uma resposta
imediata aos seus interlocutores; isso era difícil porque Yahweh não havia
falado na lei da Páscoa de caso desta natureza. Moisés disse a eles: «Esperai, e
ouvirei o que Jeová vos ordenará. Então, falou Jeová a Moisés, dizendo: Fala aos
filhos de Israel, dizendo: Quando alguém entre vós ou entre as vossas gerações
for imundo por corpo morto ou se achar em jornada longe de vós, contudo, ainda
celebrarei a Páscoa a Jeová. No segundo mês, no dia catorze [14 de Zive],
de tarde [isto é, imolar o cordeiro, pois, na verdade a Ceia Pascal era
celebrada à noite, logo após o pôr-do-sol deste dia], a celebrarão: Com pães
asmos e ervas amargas comerão. Dela nada deixarão até à manhã e dela não
quebrarão osso algum; segundo todo o estatuto da Páscoa, a celebrarão. Porém,
quando um homem for limpo, e não estiver de caminho [viagem], e deixar de
celebrar a Páscoa, tal alma do seu povo será extirpada [eliminada,
expulsa]; porquanto não ofereceu a oferta de Jeová a seu tempo determinado;
tal homem levará seu pecado [será culpado]» (Núm 9.8-13 ).
«...a seu tempo determinado...»; Yahweh havia
estabelecido dias especiais para que os israelitas pudessem estar exclusivamente
em adoração a Ele. Eram dias restritos à observância da Sua bondade,
misericórdia e livramento. Aqueles que se encontravam em condições de celebrar a
Páscoa no tempo determinado (no mês de Abibe), ou até mesmo a Páscoa do «segundo
mês», deviam celebrá-la, caso contrário, tal pessoa seria «extirpada», isto é,
«eliminada», «expulsa», «excluída» da congregação israelita (vs. 13). Em última
instância a pessoa poderia ser morta, sendo ela culpada pelo seu pecado. «...Extirpada
do seu povo...» isto parece ser de muita severidade para tratar com alguém
por falta a um dever cerimonial religioso, é necessário não se esquecer do
significado da Páscoa, Jesus Cristo o Cordeiro de Deus; reconhecendo que
quem não aceita o meio de salvação indicado pelo próprio Yahweh, já se entregou
à perdição (João 3.16-21, 36).

Ezequias rei
de Judá (Reino do Sul), foi um dos melhores reis de Judá, por causa da sua
confiança em Jeová e de sua dependência dEle. Ezequias confiava plenamente em
Jeová, guardava seus mandamentos, e exortava o povo a desviar-se do pecado e a
voltar-se para Deus (2 Reis 18.3-9). No ano primeiro do seu reinado, no mês de
Abibe ou Nisã, abriu as portas da Casa de Yahweh (pois seu pai Acaz havia
fechado as portas da Casa de Yahweh – 2 Crôn 28.24), reparou-a e purificou-a, e
reintegrou os sacerdotes e levitas a seu ministério (2 Crôn 29.3-5). Procurou,
com todo empenho, destruir todos os altares e altos idólatras em Judá, destruiu
inclusive a serpente de cobre que Moisés fizera no deserto (2 Reis 18.4).
A primeira preocupação já no início do seu reinado foi
restabelecer o culto a Yahweh interrompido por seu pai, Acaz (2 Crôn 28.24).
Buscou em primeiro lugar servir a Deus, pelo que foi abençoado em tudo, em seu
reinado (Mat 6.33). Reconheceu o valor da Casa de Yahweh na vida do povo, e
resolveu restaurar a plenitude da pureza e da glória do culto público a Deus,
conforme as prescrições da Lei. Lê-se, que em 2 Crôn 29.11, Ezequias exortou os
ministros de Yahweh dizendo: «Agora, filhos meus, não sejais negligentes,
pois Yahweh vos tem escolhidos para estardes diante dEle para os servirdes, e
para serdes seus ministros, e para queimardes incenso». O reavivamento
espiritual deve partir dos ministros para o povo; os ministros, ao invés de
deplorar o baixo nível espiritual do povo, devem ser uma inspiração e um exemplo
de dedicação. Após se santificarem, deram início a purificação da Casa de
Yahweh. Tiraram toda a imundícia (ídolos), e lançaram no ribeiro de Cedrom (2
Crôn 29.15, 16). Isto ensina-nos que; tudo o que nas crenças, no culto e nas
nossas vidas contraria a vontade divina, conforme é revelado nas Escrituras,
deve ser abolido. Semelhantemente, o crente em Jesus Cristo, como santuário do
Espírito Santo (1 Cor 6.19), deve estar purificado de toda injustiça (1 João
1.9). A purificação do Templo em Jerusalém foi o primeiro grande ato público do
ministério de Jesus Cristo (João 2.13-22), e também o último (Mat 21.12-17; Marc
11.15-17; Luc 19.45-48). Com grande indignação, Ele expulsou da Casa de Oração
os ímpios, os avarentos, os cobiçosos e os que invalidavam o verdadeiro
propósito espiritual dela. Estas atitudes de Jesus significam que: Ele condena
todos aqueles que usam a Casa de Oração, e o Evangelho visando ganhos ou glórias
pessoais, ou autopromoção. Nosso amor sincero a Jesus e ao Seu propósito
Redentor resultará num «zelo» consumidor pela justiça (João 2.17). Isto quer
dizer que ser semelhante a Cristo inclui a intolerância com a iniqüidade dentro
da Casa de Oração (Apoc 2-3). É necessário deixar Cristo entrar nas congregações
para expurgar o «engano», a «imoralidade», a «secularização», o «lucro
financeiro», o «show artístico», a «hipocrisia», a «profanação» etc., para que
haja reavivamento espiritual. Jesus deixa claro que a Casa do Pai Celestial
existia para ser «Casa de Oração», um lugar onde o povo pudesse se reunir em
devoção espiritual a Ele, na oração, na adoração e no conhecimento da Sua
Palavra. Quando a Casa de Oração é usada por pessoas de mentalidades mundanas,
torna-se um «covil de ladrões» (Marc 11.17).
Os ministros de Yahweh fizeram uma limpeza completa no
Templo. Colocaram em ordem como o altar do holocausto, seu átrio, o seu pátio,
todos os utensílios e mesa da preposição. Nada se deixando em desordem. De igual
modo o crente em Cristo, sendo o Templo do Espírito Santo, não deve tolerar nada
na sua vida que venha a profanar esse Templo (1 Cor 3.16, 19). «E, no dia décimo
sexto do primeiro mês acabaram» (2 Crôn 29.17). Nisã (ou Abibe), o mês de
se celebrar a Páscoa, mas o templo bem como os sacerdotes e os levitas estavam
impuros. Até o dia 16 de Nisã (devia ser o «segundo dia» da Festa dos Pães Asmos,
o dia em que os sacerdotes moviam perante Jeová um molho das primícias da sega
da cevada) já haviam limpado o Templo. Em seguida, teve de se fazer então uma
expiação especial para todo povo. Primeiro os príncipes trouxeram sacrifícios,
oferta para o pecado para o reino, o santuário e o povo, seguido por milhares de
ofertas queimadas apresentadas pelo povo. Com grande vigor, Ezequias organizou
os levitas nos seus serviços, e restabeleceu os arranjos para os instrumentos
musicais e para canto de louvores, e os sacerdotes com as trombetas. O resultado
de tudo isto foi um grande reavivamento num período tão breve (2 Crôn 29.29-36).
Visto que a impureza do povo e do Templo impedia a celebração
da Páscoa na época determinada (14 de Nisã), Ezequias tivera conselho com os
seus príncipes e com toda a congregação em Jerusalém, ficando decidido que a
celebração da Páscoa seria adiada para o dia 14 do segundo mês. Ezequias
valeu-se da lei que permitia os impuros celebrarem a Páscoa um mês mais tarde.
Convocou não somente Judá (reino sul), mas também Israel (reino norte), por meio
de cartas enviadas por correios e também enviou mensageiros por todo reino
norte, desde Berseba até Dã, para que viessem a Jerusalém celebrar a Páscoa (2
Crôn 30.1-5). O rei através dos correios com as cartas e dos príncipes, fez
algumas exortações aos filhos de Israel: Primeiro: Uma chamada ao
arrependimento, «Convertei-vos a Jeová» (2 Crôn 30.6). Segundo: Um aviso
contra a influência pecaminosa dos pais e dos irmãos (vs. 7). Terceiro:
Um convite para confiar em Jeová e passar a servi-lo (vs. 8). Quarto: Uma
promessa para aqueles que se converterem, «Acharão misericórdia» (vs. 9a).
Conclusão: Todas as promessas de bênçãos dependem da conversão (vs. 9b).
Assim, uma mui grande multidão se ajuntou em Jerusalém para
celebrar a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos (vs.13). Então, sacrificaram os
cordeiros pascais no dia «décimo quarto do segundo mês»; e os sacerdotes e
levitas se envergonharam, e se santificaram, e trouxeram holocaustos a Casa de
Yahweh (2 Crôn 30.15). Se envergonharam os sacerdotes porque não haviam se
santificados na época própria (ver v.13). Entretanto, havia muitos na
congregação que não estavam santificados (estavam cerimonialmente impuros), pelo
que os levitas foram encarregados de matarem os cordeiros da Páscoa por todo
aquele que não estava limpo (vs.18). «Segundo o Mishnah, cada ofertante
matava seu cordeiro, recolhendo o sangue numa tigela que passava de sacerdote em
sacerdote, até chegar ao altar». O caso destes comerem a Páscoa, «mas não como
está escrito», preocupou de certa maneira o rei, pois sabia ele que isto era um
erro grave, desrespeitava a Lei de Jeová. «Não estavam purificados segundo a
purificação do santuário» (vs.19). Ezequias orou a Yahweh, pedindo perdão em
pro do povo, confiando na Sua generosidade e misericórdia (ver vss. 18b e 19 –
ARA). Deus ouviu a oração de Ezequias, e sarou a alma do povo (vs.20). Deus
prontamente perdoou o povo, não precisava mais ter medo de ser punido, pois,
Yahweh sabia que as circunstâncias justificadas impediram aquelas pessoas de
estarem purificadas, mas, mesmo assim, de boa vontade (muitas pessoas),
dispuseram o seu coração em reverência ao Seu Deus, e comeram a Páscoa. Isto
mostra que embora cerimonialmente impuros (impureza externa), contudo,
internamente e espiritualmente estavam limpos.
Após a celebração da Páscoa, celebrou-se a Festa dos Pães
Asmos por «sete dias», com uma alegria acompanhante tão grande, que a
congregação inteira decidiu prolongá-la por mais «sete dias». Naquela Festa
prevaleceu a benção do Senhor Jeová sobre o povo, de modo que «veio a haver
grande alegria em Jerusalém, pois desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei
de Israel, não houve nada igual a isso em Jerusalém» (2 Crôn 30.21-27). É este
tipo de dedicação e de purificação seguida por um grande avivamento, que está
faltando na vida de muitos (ver v.27).
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